3 de jul. de 2006

Protótypós


Terceiro espetáculo da Trilogia do Minotauro, Prototypós foi apresentado na Galeria Olido, em 2006. Contemplado com o Prêmio Klauss Viana/Funarte/Petrobrás do Ministério da Cultura-2006, o espetáculo atraiu um grande número de espectadores, ao instalar-se no espaço em diálogo com a própria avenida São João.

Ao revelar-se em luz e linhas pelas janelas de vidro da galeria, a encenação convida o público a percorrer suas escadas e andares instalados em diferentes atmosferas, volumes e sonoridades, aludindo aqui à própria ideia da construção do labirinto: como um diamante, a luz revela imagens que se multifacetam em vários reflexos.

Prototypós trata do princípio, das primeiras formas, do ponto de partida do mito, que é Posseidon: o mar, a água, a diluição e a dissipação. É a própria construção e significado do labirinto. O ambiente aquático é simbolizado pela iluminação e por bacias metálicas que, além de seu efeito visual, produzem sons. A dança, a música e os objetos são formas reveladas pela luz em suas cores, linhas, volumes e trajetos. A movimentação é baseada na construção e diluição de imagens. A confluência das linhas projetadas pelos corpos cria configurações temporárias e passageiras em busca de um protótipo.

Os performers dialogam com imagens projetadas muitas vezes sobre as superfícies internas e espelhadas nas várias paredes de vidro, trazendo a rua para dentro da galeria. A utilização de projeções de imagens prefixadas e imagens que se criam durante a performance sobre um cenário de transparências e recortes espaciais, contribuem para que a dança aconteça por entre os dançarinos, os músicos e o espaço cênico.

Esta performance-instalação ocupou os quatro andares da Galeria Olido, criando um fluxo contínuo do público, que sempre observava alguma cena diferente. O espetáculo era composto por uma mesma célula apresentada quatro vezes seguidas, criando-se uma frequência repetitiva como as ondas do mar: sempre as mesmas, nunca iguais. O público atuava como coadjuvante da cena a partir de seu fluxo ao visitar e revisitar as cenas.


















Ficha Técnica:


Concepção e Direção: Maria Mommensohn

Performers: Daniela Borgo, George Sander, Junny Kraiczyk, Márcio Marques, Paulo Petrella, Suzana Schmidt

Músicos: Jessé Siqueira, Klaus Wernet, Lennon Fernandes, Nivaldo Godoy, Panais Bouki

Participação especial: alunos da PUC-SP: Camila Rodrigues, Daniela Boni, Diana Parisi, Diogo Bo, Flávio Dos, Juliana Porto, Larissa Orlow, Marília Jardim, Paula Barros, Paulo Leite, Raquel Pallares, Kalinka Prates, Simone Donha, Terezinha Malaquias, Thiago Azambuja, Valquíria Rosa, Yá!; Alunos da ECA-USP: Ana Moreira, Carol Pinzan, Ivana Calado, Miriam Blanco, Mavutsinim.

Cenografia e Figurinos: Arnaldo Battaglini, David Schumaker

Iluminação: Décio Filho

Assistente de Iluminação: Manuel de Oliveira

Vídeo Instalações: Márcio Marques

Design Gráfico: Ricardo Escudero

Fotos: Arnaldo Battaglini, Cristina Maranhão, Ricardo Escudero, Marcos Gorgatti



17 de mai. de 2004

Metóikos


Segunda parte da Trilogia do Minotauro, Metoikos foi apresentado no Espaço Cênico Ademar Guerra, do Centro Cultural São Paulo, em 2004. Traz como referência o nascimento do Minotauro, gerado pela paixão de Pasífae, rainha de Creta, por um touro branco.

O espetáculo trata da encruzilhada entre o desejo e a consciência, sendo o espaço cênico uma instalação que se refere diretamente aos subterrâneos da mente. Realizada com materiais naturais diversos, como cestarias, fibras e velas, a dança nela acontece como uma sobreposição de imagens que se multiplicam.

Ruídos, silêncios, sons acústicos e eletrônicos, sons dos músicos e performers ocorrem em vários locais do espaço. A música integra-se dramaturgicamente em Metoikos, com a presença em cena do grupo musical Trans, numa criação colaborativa, em diálogo intenso com o grupo Minik Momdó.

Ocupa-se completamente o espaço cênico Ademar Guerra, criando-se uma perspectiva de longa distância e pela primeira vez utiliza-se a vídeo cenografia, projetando-se recortes do espaço sobre ele mesmo. Os objetos de cena trazem o signo do artesanal e do antigo e a estrutura do espetáculo é de uma "ópera contemporânea".

Da mesma maneira, o espectador é convidado a compor o sentido do espetáculo, acompanhando as cenas a partir de diferentes perspectivas na profundidade de um mesmo espaço.
















Ficha Técnica:

Concepção e Direção: Maria Mommensohn
Assistente de Coreografia: Paulo Petrella
Direção Musical: Sérgio Villafranca
Cenografia: Marilene Silva
Edição de Imagens: Henrique Palazzo
Vídeo cenografia: Marcio Marques
Iluminação: Marcus Filomenus
Performers: André Goldman, Daniela Boni, Daniela Borgo, George Sander, Marcio Marques, Marina Carvalho, Marcelo Caraíba, Paulo Petrella Músicos: Dario Montesano, Carmem Flores, Jessé Siqueira, Jullye Zoz, Lennon Fernandes, Klaus Wernet, Rodrigo Gava.
Fotos: Cristina Maranhão e Liliana Campadello

3 de jul. de 2002

Oikos


Oikos, casa em grego, é o primeiro espetáculo da Trilogia do Minotauro. Realizado no pátio interno da Oficina Cultural Oswald de Andrade e na Casa das Rosas, em 2002; na platéia do Teatro Sergio Cardoso, em 2003 e na Casa da Palavra Mario de Andrade, em 2005. Traz como tema a vitória de Teseu sobre o Minotauro (a razão sobre a natureza selvagem), com a ajuda de Ariadne, que lhe dá um fio para guiá-lo em seu retorno do labirinto.

Performers e músicos apresentam suas cenas simultaneamente, enfatizando a expressividade de cada ambiente e a sobreposição de imagens poéticas. Os figurinos são como parangolés, aos quais se adicionam adereços manipulados plasticamente pelos intérpretes. Ao espectador, é oferecida a possibilidade de organizar seu próprio percurso e tempo de observação, a partir de suas próprias sensações.

Em Oikos, o mito não é descrito linearmente, mas representado por cenas que se deflagram por sua relação poética, estética e filosófica com ele. As personagens são tratadas arquetipicamente e as cenas não se organizam em uma unidade narrativa. A simultaneidade e a repetição por um tempo determinado das sequências de ações inspiram-se na idéia do eterno retorno seletivo de Nietzsche: eternamente mudando, eternamente recorrente. Labirintos dentro de labirintos: o mito e a filosofia se desdobram na dança e no espaço cênico.


















Ficha Técnica:

2002 e 2003

Concepção e Direção: Maria Mommensohn
Performers: Andrezza Moretti, Daniela Borgo, João André da Rocha, Márcio Marques, Paulo Petrella
Música original: Caco Faria
Iluminação: Marcus Filomenus


2005

Concepção e direção: Maria Mommensohn
Performers: André Goldman, Daniela Boni, Daniela Borgo, George Sander, Marcio Marques, Marina Carvalho, Marcelo Caraíba, Paulo Petrella
Direção musical: Sérgio Villafranca
Músicos: Dario Montesano, Carmem Flores, Jessé Siqueira, Jullye Zoz, Lennon Fernandes, Klaus Wernet, Rodrigo Gava.
Cenografia: Marilene Silva
Iluminação: Marcus Filomenus
Fotografia: Ricardo Escudeiro



3 de jul. de 2001

A trilogia do Minotauro

A Trilogia do Minotauro é composta pelos espetáculos Oikos (2002), Metoikos – aquele que mora na casa do outro (2004) e Prototypós (2006).

Com o aprofundamento das pesquisas sobre a ocupação e transformação do espaço e a construção de células dramatúrgicas pelos performers em cena, o grupo chega à forma da performance-instalação. Nela, a cena acontece na potencialização da relação entre o intérprete, o espaço e o público.

Chega-se também ao mito do Minotauro, trazendo como focos temáticos a natureza do corpo e o labirinto como referência para a construção espacial da urbes. Este tema surge da poesia Diterambos Dionísicos de Nietzsche e das relações que este estabelece com as escolhas de Ariadne e as conseqüências da vitória de Teseu, beligerante herói civilizador, para a cultura e urbanismo no Ocidente. Com sua cabeça de animal e corpo humano, o Minotauro inverte a lógica entre racionalidade e instinto, aludindo ao corpo como labirinto de sensações, conexões, veias, sinapses, estímulos e impulsos: a luta dual entre natureza e civilização. Um monstro com corpo de homem, oculto numa elaborada construção sem portas, janelas ou teto, onde qualquer um pode se perder para sempre. O labirinto é pura desorientação, o ponto dinâmico de onde parte o esforço para configuração de relações que criam o espaço: a origem da arquitetura.

3 de jul. de 2000

Missa para Sta Cecilia


Aprofundando a temática iniciada em Nus Vestidos, este espetáculo traça um paralelo entre a missa, como ritual de purificação através da transubstanciação do pão e do vinho e os processos alquímicos de transformação da matéria ordinária em ouro filosofal. Inspirando-se na obra musical litúrgica, Missa para Santa Cecília, do Padre José Nunes Garcia e na pintura religiosa da Baixa Idade Média e Renascimento, a cena explora as relações entre luz e sombra, sagrado e profano. Os intérpretes constroem suas relações em torno do medo, da culpa e da expiação, em contraste com a busca idealizada da experiência mística.

A apropriação do espaço e sua transformação se definem para o grupo, a relação entre a dança e o lugar de apresentação torna-se mais clara e a cenografia se constitui no próprio figurino em movimento. Missa para Santa Cecília estréia no casarão do Ministério da Educação/Funarte, na al. Nothman, utilizando o prédio como dramaturgia cenográfica. Esta opção se verticaliza ainda mais com a temporada na Igreja da Consolação, onde a arquitetura dialoga diretamente com a coreografia, construindo o sentido da encenação.

Missa para Santa Cecília foi ganhador do Prêmio Estímulo 1999 – Novos Espaços Coreográficos, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.


Ficha Técnica:

Concepção e direção: Maria Mommensohn

Intérpretes: Adriana Pêcego, Gisele Penella, Marcio Marques, Márcia Carvalho, Patrícia Sakavicius, Paulo Petrella, Suzana Schmidt, Tarcísio Bueno, Yara Ludovico, Zé Mário, Zito Camillo
Música original: Caco Faria, sobre a obra de José Maurício Nunes Garcia, Missa para Santa Cecília
Iluminação: Mário Cavalheiro
Figurinos: Cristian Salvanha
Fotos: André Ryoki

6 de jun. de 1999

Nus Vestidos


Nus Vestidos estreou na capela do Instituto Goethe, como parte do evento Dramaturgia do Corpo: Laban em Cena, em 1999 e foi remontado em 2008, em projeto contemplado pela III edição do Programa de Fomento à Dança da cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura. Realizado em um espaço não convencional, traz como tema o arquétipo do ritual do casamento, propondo uma investigação sobre o processo alquímico da união dos opostos.

Coloca em jogo o contraste entre o que está oculto e o que é revelado, os conflitos, o feio e o belo, o masculino e o feminino, os instintos do corpo e as convenções sociais. A encenação parte da relação dos intérpretes com vestidos de noiva originais, com o peso real das roupas femininas do século XVIII. As sequências coreográficas são criadas a partir da construção e desconstrução de danças da corte.

A instalação de um espaço íntimo aproxima os intérpretes do público, indicando uma possibilidade de investigação que se estende para os outros trabalhos do grupo.

















Ficha técnica:

2008
Concepção e Direção: Maria Mommensohn
Assistente de direção: Suzana Schmidt
Direção musical: Klaus Wernet
Direção de Luz: Décio Filho
Assistente de Iluminação: Manuel de Oliveira
Figurino: Fernando Delabio
Intérpretes: Andréz Perez Barrera, Fabíola Camargo, Fernando Delabio, Gustavo Torres, Leonardo D´Aquino, Mariana Delgado, Thaís Ponzzoni, Vanessa Carvalho.
Fotos: Marcos Gorgatti








1999

Concepção e direção coreográfica: Maria Mommensohn
Intérpretes: Karina Gomes, Paulo Petrella, Regina Vaz, Simone Lyro, Suzana Schmidt, Yara Ludovico, Zé Mário e Zito Camillo.
Colaboração: Luiza Garcia e Mariana Monteiro
Fotos: Cristina Maranhão e André Ryoki