17 de mai. de 2004

Metóikos


Segunda parte da Trilogia do Minotauro, Metoikos foi apresentado no Espaço Cênico Ademar Guerra, do Centro Cultural São Paulo, em 2004. Traz como referência o nascimento do Minotauro, gerado pela paixão de Pasífae, rainha de Creta, por um touro branco.

O espetáculo trata da encruzilhada entre o desejo e a consciência, sendo o espaço cênico uma instalação que se refere diretamente aos subterrâneos da mente. Realizada com materiais naturais diversos, como cestarias, fibras e velas, a dança nela acontece como uma sobreposição de imagens que se multiplicam.

Ruídos, silêncios, sons acústicos e eletrônicos, sons dos músicos e performers ocorrem em vários locais do espaço. A música integra-se dramaturgicamente em Metoikos, com a presença em cena do grupo musical Trans, numa criação colaborativa, em diálogo intenso com o grupo Minik Momdó.

Ocupa-se completamente o espaço cênico Ademar Guerra, criando-se uma perspectiva de longa distância e pela primeira vez utiliza-se a vídeo cenografia, projetando-se recortes do espaço sobre ele mesmo. Os objetos de cena trazem o signo do artesanal e do antigo e a estrutura do espetáculo é de uma "ópera contemporânea".

Da mesma maneira, o espectador é convidado a compor o sentido do espetáculo, acompanhando as cenas a partir de diferentes perspectivas na profundidade de um mesmo espaço.
















Ficha Técnica:

Concepção e Direção: Maria Mommensohn
Assistente de Coreografia: Paulo Petrella
Direção Musical: Sérgio Villafranca
Cenografia: Marilene Silva
Edição de Imagens: Henrique Palazzo
Vídeo cenografia: Marcio Marques
Iluminação: Marcus Filomenus
Performers: André Goldman, Daniela Boni, Daniela Borgo, George Sander, Marcio Marques, Marina Carvalho, Marcelo Caraíba, Paulo Petrella Músicos: Dario Montesano, Carmem Flores, Jessé Siqueira, Jullye Zoz, Lennon Fernandes, Klaus Wernet, Rodrigo Gava.
Fotos: Cristina Maranhão e Liliana Campadello

3 de jul. de 2002

Oikos


Oikos, casa em grego, é o primeiro espetáculo da Trilogia do Minotauro. Realizado no pátio interno da Oficina Cultural Oswald de Andrade e na Casa das Rosas, em 2002; na platéia do Teatro Sergio Cardoso, em 2003 e na Casa da Palavra Mario de Andrade, em 2005. Traz como tema a vitória de Teseu sobre o Minotauro (a razão sobre a natureza selvagem), com a ajuda de Ariadne, que lhe dá um fio para guiá-lo em seu retorno do labirinto.

Performers e músicos apresentam suas cenas simultaneamente, enfatizando a expressividade de cada ambiente e a sobreposição de imagens poéticas. Os figurinos são como parangolés, aos quais se adicionam adereços manipulados plasticamente pelos intérpretes. Ao espectador, é oferecida a possibilidade de organizar seu próprio percurso e tempo de observação, a partir de suas próprias sensações.

Em Oikos, o mito não é descrito linearmente, mas representado por cenas que se deflagram por sua relação poética, estética e filosófica com ele. As personagens são tratadas arquetipicamente e as cenas não se organizam em uma unidade narrativa. A simultaneidade e a repetição por um tempo determinado das sequências de ações inspiram-se na idéia do eterno retorno seletivo de Nietzsche: eternamente mudando, eternamente recorrente. Labirintos dentro de labirintos: o mito e a filosofia se desdobram na dança e no espaço cênico.


















Ficha Técnica:

2002 e 2003

Concepção e Direção: Maria Mommensohn
Performers: Andrezza Moretti, Daniela Borgo, João André da Rocha, Márcio Marques, Paulo Petrella
Música original: Caco Faria
Iluminação: Marcus Filomenus


2005

Concepção e direção: Maria Mommensohn
Performers: André Goldman, Daniela Boni, Daniela Borgo, George Sander, Marcio Marques, Marina Carvalho, Marcelo Caraíba, Paulo Petrella
Direção musical: Sérgio Villafranca
Músicos: Dario Montesano, Carmem Flores, Jessé Siqueira, Jullye Zoz, Lennon Fernandes, Klaus Wernet, Rodrigo Gava.
Cenografia: Marilene Silva
Iluminação: Marcus Filomenus
Fotografia: Ricardo Escudeiro



3 de jul. de 2001

A trilogia do Minotauro

A Trilogia do Minotauro é composta pelos espetáculos Oikos (2002), Metoikos – aquele que mora na casa do outro (2004) e Prototypós (2006).

Com o aprofundamento das pesquisas sobre a ocupação e transformação do espaço e a construção de células dramatúrgicas pelos performers em cena, o grupo chega à forma da performance-instalação. Nela, a cena acontece na potencialização da relação entre o intérprete, o espaço e o público.

Chega-se também ao mito do Minotauro, trazendo como focos temáticos a natureza do corpo e o labirinto como referência para a construção espacial da urbes. Este tema surge da poesia Diterambos Dionísicos de Nietzsche e das relações que este estabelece com as escolhas de Ariadne e as conseqüências da vitória de Teseu, beligerante herói civilizador, para a cultura e urbanismo no Ocidente. Com sua cabeça de animal e corpo humano, o Minotauro inverte a lógica entre racionalidade e instinto, aludindo ao corpo como labirinto de sensações, conexões, veias, sinapses, estímulos e impulsos: a luta dual entre natureza e civilização. Um monstro com corpo de homem, oculto numa elaborada construção sem portas, janelas ou teto, onde qualquer um pode se perder para sempre. O labirinto é pura desorientação, o ponto dinâmico de onde parte o esforço para configuração de relações que criam o espaço: a origem da arquitetura.

3 de jul. de 2000

Missa para Sta Cecilia


Aprofundando a temática iniciada em Nus Vestidos, este espetáculo traça um paralelo entre a missa, como ritual de purificação através da transubstanciação do pão e do vinho e os processos alquímicos de transformação da matéria ordinária em ouro filosofal. Inspirando-se na obra musical litúrgica, Missa para Santa Cecília, do Padre José Nunes Garcia e na pintura religiosa da Baixa Idade Média e Renascimento, a cena explora as relações entre luz e sombra, sagrado e profano. Os intérpretes constroem suas relações em torno do medo, da culpa e da expiação, em contraste com a busca idealizada da experiência mística.

A apropriação do espaço e sua transformação se definem para o grupo, a relação entre a dança e o lugar de apresentação torna-se mais clara e a cenografia se constitui no próprio figurino em movimento. Missa para Santa Cecília estréia no casarão do Ministério da Educação/Funarte, na al. Nothman, utilizando o prédio como dramaturgia cenográfica. Esta opção se verticaliza ainda mais com a temporada na Igreja da Consolação, onde a arquitetura dialoga diretamente com a coreografia, construindo o sentido da encenação.

Missa para Santa Cecília foi ganhador do Prêmio Estímulo 1999 – Novos Espaços Coreográficos, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.


Ficha Técnica:

Concepção e direção: Maria Mommensohn

Intérpretes: Adriana Pêcego, Gisele Penella, Marcio Marques, Márcia Carvalho, Patrícia Sakavicius, Paulo Petrella, Suzana Schmidt, Tarcísio Bueno, Yara Ludovico, Zé Mário, Zito Camillo
Música original: Caco Faria, sobre a obra de José Maurício Nunes Garcia, Missa para Santa Cecília
Iluminação: Mário Cavalheiro
Figurinos: Cristian Salvanha
Fotos: André Ryoki

6 de jun. de 1999

Nus Vestidos


Nus Vestidos estreou na capela do Instituto Goethe, como parte do evento Dramaturgia do Corpo: Laban em Cena, em 1999 e foi remontado em 2008, em projeto contemplado pela III edição do Programa de Fomento à Dança da cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura. Realizado em um espaço não convencional, traz como tema o arquétipo do ritual do casamento, propondo uma investigação sobre o processo alquímico da união dos opostos.

Coloca em jogo o contraste entre o que está oculto e o que é revelado, os conflitos, o feio e o belo, o masculino e o feminino, os instintos do corpo e as convenções sociais. A encenação parte da relação dos intérpretes com vestidos de noiva originais, com o peso real das roupas femininas do século XVIII. As sequências coreográficas são criadas a partir da construção e desconstrução de danças da corte.

A instalação de um espaço íntimo aproxima os intérpretes do público, indicando uma possibilidade de investigação que se estende para os outros trabalhos do grupo.

















Ficha técnica:

2008
Concepção e Direção: Maria Mommensohn
Assistente de direção: Suzana Schmidt
Direção musical: Klaus Wernet
Direção de Luz: Décio Filho
Assistente de Iluminação: Manuel de Oliveira
Figurino: Fernando Delabio
Intérpretes: Andréz Perez Barrera, Fabíola Camargo, Fernando Delabio, Gustavo Torres, Leonardo D´Aquino, Mariana Delgado, Thaís Ponzzoni, Vanessa Carvalho.
Fotos: Marcos Gorgatti








1999

Concepção e direção coreográfica: Maria Mommensohn
Intérpretes: Karina Gomes, Paulo Petrella, Regina Vaz, Simone Lyro, Suzana Schmidt, Yara Ludovico, Zé Mário e Zito Camillo.
Colaboração: Luiza Garcia e Mariana Monteiro
Fotos: Cristina Maranhão e André Ryoki

3 de jul. de 1998

Véus

Espetáculo performático de 1998, Véus é uma paródia sobre a procissão da sextafeira santa. Foi apresentado no Teatro Augusta, em palco italiano, na Casa de Cultura Benedito Calixto, em seus jardins em estilo art nouveau e em um galpão, no evento "Mundão", do Sesc Santo Amaro. Utiliza como trilha sonora o Stabat Mater, de Pergolesi, mixado a efeitos sonoros que reproduzem sons de bombas e metralhadoras e risadas de platéia. O espetáculo relativiza o espaço pela progressão da procissão, tanto no palco italiano, como nos jardins ou no galpão, trazendo a ação dramática para o primeiro plano.